São patologias que acometem o sistema músculo-esquelético, podendo ser congênitas, traumáticas, degenerativas e metabólicas.
Esse sistema é extremamente importante, pois além de ser o arcabouço do organismo, proporciona o movimento, que torna possível ao ser humano enfrentar as dificuldades para acsobrevivência da espécie.
O movimento é essencial para manter as funções cardiocirculatórias e metabólicas do homem. É também estrutura de proteção para o sistema nervoso central e dos orgãos vitais, como coração e pulmão.
Os ossos são depósito de cálcio, elemento necessário para a função neurológica e para contração das células musculares. Em seu interior existe a medula óssea, com função de formação de células sanguineas, inclusive algumas da defesa imunológica.
A Ortopedia é o ramo da Ciência Médica que previne e trata as patologias do sistema músculo-esquelético, na tentativa de manter a estrutura músculo-osteoarticular íntegra para desempenhar, do melhor modo possível, sua função biológia.
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É uma patologia crônica degenerativa que afeta a articulação do quadril levando a alterações anatômicas características como pinçamento articular , esclerose subcondral , geodas e osteofitose , decorrente de alterações bioquímicas , vasculares ou mecânicas com mudança das cargas impostas a esta articulação (slide3radiografia).
Este processo inicia-se com a degeneração da cartilagem que recobre as superfícies acetabular e da cabeça femoral com degradação dos condrócitos , espessamento da camada basal da placa subcondral , fragmentação e separação da cartilagem , havendo uma inflamação da membrana sinovial com congestão vascular , fibrose e aderências intra-articulares.A cartilagem perdendo suas propriedades mecânicas faz com que o osso subcondral ,acostumado a menor pressão e atrito, suporte maior carga sofrendo achatamento e neoformação óssea .A formação de cistos subcondrais ou geodas ocorrem pela penetração de líquido sinovial , através dos espaços formados pelas falhas na cartilagem ,que reage com o osso subcondral que responde a agressão circunscrevendo a reação. A degeneração da cartilagem gera resíduos que se depositam na região ínfero medial da articulação , promovendo uma inflamação crônica local com calcificação (osteófito) medial de depósito , cujo aumento tensiona a cabeça femoral e a cápsula articular para lateral, provocando uma inflamação crônica súpero lateral com formação de osteófito de tração que representa um mecanismo de contenção da cabeça tendendo a deslocamento .A inflamação presente em diferentes regiões da cápsula irrita o nervo correspondente causando espasticidade, como a da musculatura adutora, e perda da elasticidade articular e mobilidade .
A artrose pode ser primária ou idiopática, própria do envelhecimento natural , ou secundária conseqüente a doenças metabólicas, necrose da cabeça femoral, hemoglobinopatias, displasias ósseas, doenças inflamatórias, doenças de deposição de cristais, distúrbios locais (artrite piogênica, traumática, doença de Perthes, epifisiólise do quadril).
O quadro clínico apresenta dor no quadril de característica insidiosa e progressiva que pode irradiar para virilha, nádega, coxa e face medial do joelho, marcha claudicante ,limitação de movimentos (flexão, adução, rotação interna e externa), contraturas musculares e sinais de insuficiência de abdutores (trendelemburg).
O diagnóstico pode ser feito com exame radiográfico simples que demonstra condensação do osso subcondral, diminuição do espaço articular (pinçamento), osteofitose, cistos e geodas, subluxação da cabeça femoral e neo-formação óssea. A diferenciação diagnóstica deve ser feita com todas as patologias dolorosas do quadril e as causas secundárias de artrose.
Existem inúmeras maneiras de classificar a artrose do quadril, sendo a radiográfica de Bombelli de fácil compreensão, grau I esclerose subcondral, grau II é I + diminuição do espaço articular, grau III é I+II + osteófitos, grau IV é I+II+III + geodas.
O tratamento inicia-se com repouso relativo na fase dolorosa, fisioterapias e afins, medicamentos, uso de orteses para descarga de peso e exercícios orientados, importantes para manter mobilidade articular e evitar a rápida instalação da artrose.
As cirurgias de osteotomias podem ser realizadas numa fase precoce, onde existe boa mobilidade articular, cujo objetivo é melhorar a congruência entre a cabeça femoral e o acetábulo, oferecer uma maior superfície de contato articular, melhorar o braço de alavanca dos abdutores e deslocar a área de sustentação para uma parte não lesada.
As artroplastias de substituição total da articulação são os procedimentos que apresentam melhores resultados quando bem indicados, porém não estão livres de complicações. As próteses podem ser do tipo de fixação cimentadas , não cimentadas e híbridas; e de diferentes superfícies de contato articular como polietileno, metal, cerâmica e uma variação de modelo denominada “metal-on-metal hip resurfacing”.
Para a realização da artroplastia é necessário que haja maturidade esquelética, integridade neuro-vascular e psíquica, e ausência de processo infeccioso ativo.
Escoliose é o desvio da coluna para os lados (plano frontal), na coluna existem curvaturas normais que são as cifoses e lordoses que estão no plano sagital (Antero posterior).
A escoliose não estrutural é uma deformidade na coluna vertebral onde não ocorrem alterações estruturadas de seus elementos, como vértebras, ligamentos e discos intervertebrais. Em geral não é progressiva e a coluna mantém uma flexibilidade, e ela é secundaria a uma doença de base como encurtamento do membro inferior, irritação de raiz nervosa, doenças inflamatórias ou tumorais. Nas escolioses estruturadas ocorrem alterações nos elementos vertebrais, ocorrendo rotação , encunhamento e retração dos tecidos mole do lado côncavo da curva, caracterizada clinicamente pela gibosidade.
O exame realizado em algumas escolas é importante para triagem destas crianças com desvio aparente. Normalmente é utilizado o teste de Adams – que é a flexão do tronco e observa-se a presença de gibosidade (o lado da costela ou lombar fica mais alta que a outra). O exame radiológico baseia –se realização de radiografias panorâmicas de coluna inteira em posição ortostatica ( em pe ) permitindo se a visualização da deformidade e medir a mesma, e a avaliação da crista ilíaca para avaliar a curva de Risser para estudo da maturidade esquelética.
Os estudos recentes têm caminhado para investigação de alterações neurológicas, de anomalias do padrão de crescimento e de anomalias do tecido conjuntivo. Existem alguns grupos de pacientes que merecem atenção especial – 1ª crianças com menos de 11 anos com curvas de graus já suscetíveis de tratamento(conservador ou cirúrgico), 2ª crianças com curvas atípicas como as torácicas esquerda e lombares direita, as com dor significativas ou com alguma alteração neurológica ou cutânea e 3ª crianças que a curva progride rapidamente , mais de 1 grau por mês.
A escoliose a idiopatica classificada em 3 categorias de acordo com a idade de aparecimento: idiopatica infantil (de 0 a 3 anos ) ; idiopatica juvenil ( de 3 a 10 anos ) e idiopatica do adolescente ( acima de 10 anos).
Na escoliose idiopatica do adolescente existe uma maior incidência no sexo feminino em relação ao masculino de 3.6:1. e pode aumentar esta diferença conforme aumenta a curvatura da vértebra.
Para entender porque os ossos quebram, é importante saber do que eles são feitos e para que servem.
Os ossos do corpo humano, que em conjunto formam o esqueleto, são estruturas vivas que suportam e protegem os órgãos internos. Na infância crescem rapidamente e durante toda a vida possuem capacidade de remodelação quando são quebrados.
A porção central dos ossos é chamada medula, onde existem células imaturas com possibilidade de se tranformar em glóbulos vermelhos, transportadores de oxigênio para todas as partes do organismo e em glóbulos brancos, que atuam como elementos de defesa contra doenças.
São também depósitos de cálcio e fósforo. Devido sua arquitetura única, são capazes de suportar grande quantidade de peso. Apesar de sua rigidez aparente, podem apresentar certo grau de deformação quando recebem a ação de forças externas, retornando à forma original quando estas forças cessam.
É o que acontece, por exemplo, quando sofremos uma queda sobre a mão estendida. Os ossos da mão, punho e braço podem, geralmente, absorver o impacto com uma suave deformação, retornando à sua forma e posição originais.
Entretanto, se essas forças forem fortes demais, os ossos irão quebrar, exatamente o que se sucede com uma régua plástica se for entortada demais.
A severidade da fratura depende da força causadora. Se o ponto limite de fratura for excedido apenas discretamente, o osso deverá mais "trincar" do que propriamente, quebrar. Ao contrário, se a força é extrema, como num acidente automobilístico ou um tiro, o osso poderá despedaçar-se. Se os fragmentos de uma fratura atravessarem a pele ou um ferimento penetrar até o osso fraturado, esta fratura será exposta, situação especialmente séria porque poderá ocorrer processo infeccioso ósseo.
As fraturas causam dor e tornam difícil, ou mesmo impossível, a utilização da parte do corpo acometida.
São lesões músculo-tendinosas ou neuro-vasculares causados pelo uso repetitivo ou manutenção de posições inadequadas por período de tempo prolongado, resultando em dor, fadiga e declínio da produtividade.
Essas lesões ocorreriam pelo atrito de tendões contra saliências ósseas, ligamentos e outras estruturas tendinosas, durante movimentos repetitivos ou ainda pela idade, fatores hormonais, etc.
A princípio são microscópicas e assintomáticas mas podem evoluir para formas mais graves que produzem sintomas, inclusive com rupturas e interferem com o bem-estar e a capacidade produtiva do paciente.
A incidência anual de lesões por esforços repetidos tem aumentado na última década. Já representam mais de 60% de todas doenças ocupacionais nos Estados Unidos, desde 1991.
Acomete mais freqüentemente o sexo feminino, pessoas entre 18 e 45 anos, digitadores, trabalhadores em linha de montagem, indivíduos que fazem dupla jornada de trabalho ou que trabalham e estudam, sedentários, aqueles com postura inadequada, stress psicológico pela atenção mental, sujeitos à disputas profissionais, desemprego e outras preocupações da vida moderna.
Não atinge apenas trabalhadores, mas também donas de casa, atletas profissionais, professores, músicos, etc.
A etiologia da LER é controversa. Para muitos a exposição a forças repetidas ou o mau posicionamento das mãos e punhos, por período prolongado de tempo, resultam em microlesões, inflamação e degeneração de tendões, ligamentos e possivelmente da sinovial e músculos.
Outros discordam dessa teoria porque muitas vezes não existem achados objetivos correspondentes às queixas dos pacientes, tanto no exame físico quanto nos exames de sangue, de ultra-sonografia, ressonância magnética e eletroneuromiografia.
Acreditam que o aumento da incidência de doenças relacionadas ao trabalho seja devido a fatores psicológicos e sócio-políticos, como os benefícios do afastamento.
Entretanto é possível que os distúrbios emocionais sejam o reflexo de modificações biológicas causadas pelas agressões sofridas.
Estágios Evolutivos (graus)
Estágio 1 :
Não há dor propriamente dita. Existem queixas vagas de desconforto e peso nos braços, pontadas e agulhadas que melhoram com o repouso, nos finais de semana e nas férias.
A produtividade no trabalho não é afetada.
Estágio 2 :
A dor (especialmente noturna) é o sintoma predominante e pode estar acompanhada de formigamento, calor e sensação de aspereza e dedos grossos.
Aparece principalmente na segunda metade do expediente, aumenta do começo para o final da semana e começa a prejudicar a produtividade.
Estágio 3 :
A dor é mais intensa, persistente e localizada. São freqüentes a perda de força muscular, inchaços e contraturas musculares, principalmente na região da nuca.
Pode haver calor local, pele brilhante e sudorese. A atividade profissional normal e mesmo serviços domésticos são prejudicados pela dor.
Estágio 4 :
A dor é forte, contínua, às vezes insuportável e piora com a movimentação. Existe perda de força e do controle dos movimentos e inchaço persistente.
O estado emocional do paciente é afetado e a capacidade de trabalho é nula.
O tratamento varia de acordo com a fase (aguda ou crônica) e com o estágio evolutivo (grau).
O repouso do membro afetado é importante, na fase aguda. O uso de órteses adequadas pode ser necessário, nesta fase. A reabilitação deve ser instituída o mais cedo possível para evitar atrofias musculares.
Para lesões sub-agudas ou crônicas estão indicadas medidas fisioterápicas e a hidroterapia. A infiltração de zonas "gatilho" ou de hipersensibilidade pode ser efetiva.
Para melhorar a qualidade do sono, proporcionar descanso e recuperação de energia, podem ser necessários relaxantes, como os diazepínicos.
Dependendo da condição do paciente, estão indicados aconselhamento psicológico, medicação anti-depressiva e/ou um programa para cuidar do stress.
A indicação cirúrgica deve ficar reservada para caso de rupturas tendíneas ou para casos de síndromes neurológicas compressivas com eletroneuromiografia positiva que não responderam ao tratamento conservador.
Com um condicionamento físico adequado reduz-se a possibilidade de ocorrer fadiga, portanto a boa forma física contribui para a melhora dos sintomas e para o retorno seguro ao trabalho.
Os exercícios físicos são indicados para melhorar a flexibilidade articular, promover alongamento e fortalecimento muscular.
Também ajudam combater o stress, favorecem o relaxamento e colaboram para diminuir a dor pela liberação de endorfinas.
O joelho é a articulação mais complexa do corpo humano, sendo composto por 3 ossos (fêmur, tíbia e patela) e suas cartilagens de revestimento, meniscos, ligamentos estabilizadores, músculos, tendões e bursas.
É capaz de movimentos de flexão, extensão e alguma rotação, tanto interna quanto externa. Sofre mais stress que qualquer outra junta, suportando a maior parte do peso corpóreo em cada passo e sendo solicitado a cada movimento de dobrar e torcer, como acontece para sentar e levantar, subir ou descer escadas, entrar e sair do carro.
Devido sua localização anatômica é particularmente vulnerável a traumatismos, especialmente nos esportes, comprometendo, em geral, uma população ativa e importante do ponto de vista sócio-econômico.
As lesões nessa articulação ocorrem mais freqüentemente em esportes de contato, como o futebol, basquete e judô, mas podem ocorrer em outras modalidades esportivas como a ginástica, vôlei, tênis, atletismo, etc. e também podem acontecer por acidentes com veículos automotores.
Na prática desportiva, assim como nas atividades profissionais que requeiram repetição constante de movimentos, podem ocorrer lesões por uso excessivo, processos inflamatórios que acometem tendões, bursas e outras estruturas anatômicas do joelho.
As mulheres jovens constituem um grupo onde são comuns os problemas na articulação entre a patela e o fêmur. Estes problemas podem ser agravados pela aeróbica, step e alguns exercícios com pesos, causando dor, crepitações e inchaços.
Como a população masculina, em nosso país, é mais engajada na prática do futebol, as lesões dos ligamentos e meniscos em geral comprometem mais os homens. Entretanto, a tendência de maior participação feminina em esportes, tem aumentado também o número de lesões dos ligamentos nas mulheres.
As lesões ligamentares produzem principalmente falseamentos, ou seja, movimentos anormais bruscos e incontroláveis do joelho com sensação de instabilidade; já as lesões meniscais produzem dor, inchaços e travamentos.
Com o advento da ressonância magnética, houve um progresso importante no diagnóstico das lesões do joelho, já que estruturas como os ligamentos cruzados, cartilagem e meniscos, impossíveis de serem vistos nas radiografias, podem ser visualizados por esse exame.
Nem toda lesão sofrida pelo joelho necessita, obrigatoriamente ser tratada com cirurgia; muitas são possíveis de tratar com uma boa fisioterapia. Neste tópico, o uso de imobilização gessada tem sido substituído pela aplicação de gelo e exercícios logo que possível, a fim de evitar as atrofias musculares.
As técnicas atuais de reconstrução cirúrgica do ligamento cruzado anterior (LCA), independentemente do tipo de enxerto e fixação empregados, têm produzido resultados satisfatórios quanto à sensação de estabilidade, por parte do paciente, e ao exame clínico feito cirugião, em especial nos testes de Lachman e pivot shift.
No entanto, esse tipo de reconstrução consegue proporcionar estabilidade apenas no plano ântero-posterior, pois não impede os movimentos rotacionais. A longo prazo, esses movimentos rotacionais repetitivos podem produzir artrose.
O LCA possui dois componentes, ou bandas, a ântero-medial (AM) e a póstero-lateral (PL), ambas com inserções distintas, tanto no fêmur quanto na tíbia. Essas bandas ficam paralelas em extensão e se cruzam em flexão.
A reconstrução anatômica, reconstrói as duas bandas do ligamento original, a ântero-medial, principal estabilizadora da ântero-posteriorização e a póstero-lateral, principal estabilizadora da rotação.
Estudos biomecânicos com robótica e estéreo-radiografia demonstraram menor frouxidão na recosntrução anatômica, em relação à reconstrução com banda única; medidas intra-opertórias de tensão no enxerto, utilizando sistema de navegação, demonstraram que a técnica de dupla banda apresenta valores semelhantes aos observados em estudos com cadáveres.
Estudos de avaliação da pressão no compartimento medial do joelho com filme Fuji mostraram que a reconstrução anatômica se aproxima do joelho normal; novos equipamentos parecem comprovar diminuição do movimento rotacional na reconstrução anatômica.
Recentemente vários estudos prospectivos e randomizados (Níveis I e II) têm demonstrado superioridade de resultados favoráveis à reconstrução com dupla banda, quando comparados à reconstrução com banda única.
A lombalgia é dor localizada na região lombar, podendo ter diversas causas. Estudos epidemiológicos demonstram que cerca de 50%a 90% dos indivíduos adultos apresenta lombalgia em algum momento de suas vidas, a lombalgia tem incidência semelhante em homens e mulheres , sendo que as mulheres queixam mais de dor lombar após os 60 anos de idade, talvez em decorrência das conseqüências da osteoporose.A dor lombar constitui a principal causa de ausência ao trabalho nos indivíduos de faixa etária produtiva. É uma das causas mais onerosas de afecções do aparelho locomotor e é a segunda causa mais comum de procura por assistência medica em decorrência de doenças crônicas.
A lombalgia aguda é uma condição auto limitada; 90% recupera espontaneamente em 4 a 7 semanas. Mais de 50 % das pessoas que apresentam lombalgia aguda podem apresentar novos episodio durante o período de um ano. Em estudos recentes acredita que 40% a 44% das pessoas com lombalgia apresenta cronificação da dor .Estima-se que 1% a 3% das pessoas necessitem de procedimento cirúrgico, talvez este persentual tenha aumentado hoje em decorrência de novas técnicas e recursos materiais e diagnosticas.
Entre os fatores de risco estão os fatores constitucionais, individuais, posturais e ocupacionais. Dentre os ocupacionais, destacam-se as sobrecargas na coluna lombar gerada por levantamento de peso, deslocar objetos pesados, permanecer em posição fixa prolongadamente. Nos fatores individuais estão o ganho de peso, obesidade, a má postura, a fraqueza dos músculos abdominais e espinhais. Transtornos psicosociais como depressão. Hipocondríase, alcolismo, fumo, divorcio, descontentamento , desmotivação com as atividades ocupacionais, entre outras são mais freqüentes nos indivíduos com lombalgia.
A anatomia e biomecânica da coluna lombar é bastante complexa, todas as estruturas que compõe a coluna são fontes potenciais de dor e se houver alteração em sua estrutura morfológica ou desvio de sua curvatura pode apresentar dor. A estabilidade da coluna depende dos ligamentos e da ação muscular, podendo suportar cargas de compressão, tração, cisalhamento horizontal e transversal. O disco intervertebral exerce papel importante na absorção da energia mecânica, sofrendo deformação elástica frente aos esforços. As articulações interapofisarias são elementos primordiais na estabilização e no equilíbrio da coluna.
A lombalgia pode ser classificada de acordo como tempo de duração em aguda que apresentam inicio súbito e duração inferior a 6 semanas, subagudas que apresentam duração de 6 a 12 semanas e crônicas que apresentam duração superior a 12 semanas. E pode ser classificada em especificas e inespecificas. As inespecificas são aquelas que a causa anatomica e neurofisiologia não é identificado, e as especificas são resultantes de hérnia discal, espondilolise, espondilolistese, estenose do canal raquidiano(canal medular estreito) , instabilidade definida no estudo dinamico em flexão e extensão da coluna, fraturas , tumores e infecção e doenças inflamatórias da coluna lombar . Menos de 15% dos indivíduos apresenta lombalgia especifica.
O exame clinico é muito importante na avaliação da lombalgia , procurar encontrar o fator etiológico da dor e tratar o fator de causa , e procurar fazer a prevenção da recidiva. Dentro dos exames de laboratório e imagem é importante a avaliação adequada desde um RX simples de preferência em posição ortostatica e dinâmica, mielografia,(em desuso), mielotomografia, tomografia, e ressonância magnética sem e com carga . A discografia , exame praticamente abandonado após o advento da Ressonância magnética e que consiste na injeção de contraste iodado hidrossoluvel no interior dos disco, sendo considerada positiva quando reproduz a dor do paciente durante a injeção do contraste, tem sido usada novamente em alguns casos de lombalgia crônica.
O tratamento depende do fator de causa . Sempre o inicio do tratamento é conservador com medicamentos anti-inflamatorios e analgesicos e repouso , associado a tratamento fisioterápico, hidroterapia, ou acumputura. É preconizado o tratamento conservador por período de 3 meses com tratamento conservador, porem o tratamento cirúrgico poderá ser realizado em situações de compressão da cauda eqüina e radicular com déficit progressivo em situação emergencial.Atualmente existe diversas alternativas para o tratamento cirúrgico, desde a discectomia simples tradicional com incisão ou microdiscectomia ou percutanea ( nucleoplastia ), artrodese ( fixação do movimento ) ou a manutenção do movimento com implantes posteriores ou anteriores (prótese de disco) , todos os métodos apresentam suas indicações precisa e cabe ao cirurgião definir qual é o melhor método conforme sua experiência.
Osteoporose (e não "osteosporose") significa osso poroso. Resulta de uma perda gradual da substância óssea que ocorre naturalmente com o envelhecimento, em todos indivíduos, porém é mais comum em mulheres brancas após a menopausa. A osteoporose é muito comum. Atualmente estima-se que existam 5,5 milhões de pessoas com osteoporose no Brasil!
Para entender como a osteoporose se desenvolve, é necessário conhecer alguma coisa sobre a estrutura e função do osso. O osso dá proteção e suporte às partes moles do corpo. Também funciona como um depósito de cálcio.
O cálcio é essencial para numerosas funções orgânicas, incluindo o processo de manutenção da dureza do osso. O organismo usa o cálcio dos ossos quando não existe ingestão suficiente ou quando há necessidade adicional, como na gravidez e na amamentação, por exemplo.
Os ossos são constantemente formados e remodelados. A massa óssea, ou seja, a quantidade de osso que o indivíduo tem, aumenta na infância, adolescência e no adulto jovem, atingindo o pico por volta dos 30 anos. Depois dessa idade a massa óssea decresce lentamente a cada ano, num processo natural de envelhecimento.
Para a mulher, a perda óssea é muito maior durante os 5 anos seguintes à menopausa, porque a produção do hormônio feminino estrógeno diminui. O homem também perde osso, mas numa taxa muito menor.
O estrógeno protege o osso da utilização de sua reserva de cálcio para outras funções. Depois da menopausa, quando não há mais a ação protetora desse hormônio, o organismo usa o cálcio de reserva de sua própria estrutura óssea. Os ossos podem tornar-se mais fracos e fraturar.
São fatores de risco para o aparecimento da osteoporose : dieta pobre em cálcio, falta de atividades físicas, história familiar, constituição física delicada (pessoas magras, pequenas), uso de cigarro e álcool, café em excesso, menopausa precoce (inclusive por cirurgia) e problemas glandulares.
A osteoporose é uma "doença silenciosa"; normalmente produz poucos sintomas. Todavia é comum a queixa de dor nas costas, que pode ser por contratura muscular ou mesmo por microfraturas (pequenos achatamentos das vértebras, não visíveis nas radiografias); também é possível haver compressão das vértebras da coluna, tornando a pessoa corcunda.

