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Patologias Ortopédicas
L.E.R.

São lesões músculo-tendinosas ou neuro-vasculares causados pelo uso repetitivo ou manutenção de posições inadequadas por período de tempo prolongado, resultando em dor, fadiga e declínio da produtividade.

Essas lesões ocorreriam pelo atrito de tendões contra saliências ósseas, ligamentos e outras estruturas tendinosas, durante movimentos repetitivos ou ainda pela idade, fatores hormonais, etc.

A princípio são microscópicas e assintomáticas mas podem evoluir para formas mais graves que produzem sintomas, inclusive com rupturas e interferem com o bem-estar e a capacidade produtiva do paciente.

A incidência anual de lesões por esforços repetidos tem aumentado na última década. Já representam mais de 60% de todas doenças ocupacionais nos Estados Unidos, desde 1991.

Acomete mais freqüentemente o sexo feminino, pessoas entre 18 e 45 anos, digitadores, trabalhadores em linha de montagem, indivíduos que fazem dupla jornada de trabalho ou que trabalham e estudam, sedentários, aqueles com postura inadequada, stress psicológico pela atenção mental, sujeitos à disputas profissionais, desemprego e outras preocupações da vida moderna.

Não atinge apenas trabalhadores, mas também donas de casa, atletas profissionais, professores, músicos, etc.

A etiologia da LER é controversa. Para muitos a exposição a forças repetidas ou o mau posicionamento das mãos e punhos, por período prolongado de tempo, resultam em microlesões, inflamação e degeneração de tendões, ligamentos e possivelmente da sinovial e músculos.

Outros discordam dessa teoria porque muitas vezes não existem achados objetivos correspondentes às queixas dos pacientes, tanto no exame físico quanto nos exames de sangue, de ultra-sonografia, ressonância magnética e eletroneuromiografia.

Acreditam que o aumento da incidência de doenças relacionadas ao trabalho seja devido a fatores psicológicos e sócio-políticos, como os benefícios do afastamento.

Entretanto é possível que os distúrbios emocionais sejam o reflexo de modificações biológicas causadas pelas agressões sofridas.

Estágios Evolutivos (graus)

Estágio 1 :

Não há dor propriamente dita. Existem queixas vagas de desconforto e peso nos braços, pontadas e agulhadas que melhoram com o repouso, nos finais de semana e nas férias.

A produtividade no trabalho não é afetada.

Estágio 2 :

A dor (especialmente noturna) é o sintoma predominante e pode estar acompanhada de formigamento, calor e sensação de aspereza e dedos grossos.

Aparece principalmente na segunda metade do expediente, aumenta do começo para o final da semana e começa a prejudicar a produtividade.

Estágio 3 :

A dor é mais intensa, persistente e localizada. São freqüentes a perda de força muscular, inchaços e contraturas musculares, principalmente na região da nuca.

Pode haver calor local, pele brilhante e sudorese. A atividade profissional normal e mesmo serviços domésticos são prejudicados pela dor.

Estágio 4 :

A dor é forte, contínua, às vezes insuportável e piora com a movimentação. Existe perda de força e do controle dos movimentos e inchaço persistente.

O estado emocional do paciente é afetado e a capacidade de trabalho é nula.

O tratamento varia de acordo com a fase (aguda ou crônica) e com o estágio evolutivo (grau).

O repouso do membro afetado é importante, na fase aguda. O uso de órteses adequadas pode ser necessário, nesta fase. A reabilitação deve ser instituída o mais cedo possível para evitar atrofias musculares.

Para lesões sub-agudas ou crônicas estão indicadas medidas fisioterápicas e a hidroterapia. A infiltração de zonas "gatilho" ou de hipersensibilidade pode ser efetiva.

Para melhorar a qualidade do sono, proporcionar descanso e recuperação de energia, podem ser necessários relaxantes, como os diazepínicos.

Dependendo da condição do paciente, estão indicados aconselhamento psicológico, medicação anti-depressiva e/ou um programa para cuidar do stress.

A indicação cirúrgica deve ficar reservada para caso de rupturas tendíneas ou para casos de síndromes neurológicas compressivas com eletroneuromiografia positiva que não responderam ao tratamento conservador.

Com um condicionamento físico adequado reduz-se a possibilidade de ocorrer fadiga, portanto a boa forma física contribui para a melhora dos sintomas e para o retorno seguro ao trabalho.

Os exercícios físicos são indicados para melhorar a flexibilidade articular, promover alongamento e fortalecimento muscular.

Também ajudam combater o stress, favorecem o relaxamento e colaboram para diminuir a dor pela liberação de endorfinas.

Contudo, para resultados mais satisfatórios, devem ser indicados de acordo com o estágio evolutivo, por um profissional habilitado e efetuados sob orientação adequada.

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